Respeito às diferenças
Provavelmente, você
professor, já deve ter se perguntado: “o que dizer sobre a homossexualidade em
sala de aula?”, ou “devo falar sobre homossexualidade com meus alunos?” e
certamente por não saber o que ou como dizer, medo da reação dos alunos,
preconceito, ou desinformação, acreditou que o melhor a fazer é não abordar o
tema.
Seria um equívoco considerar
o professor, como mediador do tema sexualidade aos alunos. Porém, partindo da
ideologia que a instituição escolar desenvolve papel fundamenta na construção
da subjetividade de seus participantes, e consequentemente na formação da
sociedade, o professor como representante deste ideal, deve contribuir na
construção de pensamentos igualitários e sem preconceitos.
Surgem situações em que o
professor é obrigado a levar o tema homossexualidade em sala de aula. O tema
ainda é um tabu na sociedade, mas nem por isso as crianças\adolescentes deixam
de ter dúvidas a respeito. Se uma criança, por exemplo, presencia um casal
homossexual e quer saber o porquê de dois homens ou duas mulheres estarem se
beijando, os pais muitas vezes responderão a ela de forma preconceituosa ou por
desinformação, mudarão de assunto. Partindo desse ponto, o professor é a melhor
opção do aluno para sanar essas dúvidas.
Para o pensador e filósofo
Jhon Locke, a curiosidade das crianças é resultado do desejo natural do ser
humano por conhecimento. A busca pelo saber deve ser encorajada, pois somente
assim será possível remover a ignorância do ser. Sem a curiosidade não teríamos
evoluído, mas esta também pode se tornar perigosa, se as respostas forem
errôneas ou dadas superficialmente por pessoas despreparadas. No caso da
homossexualidade, por exemplo, pais e professores despreparados podem formar
crianças reprimidas ou homofóbicas.
Afinal,
qual é o seu papel como educador?
Na concepção educacional de
Platão: “É preciso educar os membros”. Com esse pensamento, reforça-se o papel
do profissional da educação, dentro da sala de aula e fora dela também. A
instituição escolar tem o papel de formação, independentemente do assunto, pois
é necessário conduzir o aluno ao conhecimento.
Antes de tudo, para tratar
desse assunto é preciso ter conhecimento a respeito do tema. Saber o que
acontece quando um aluno com características homossexuais se retrai. Para aborda-lo
de maneira profissional, é preciso buscar nas perspectivas da psicologia a resposta. Alex
Mena Ávila é psicólogo e nos explica a respeito da repressão de sentimentos, na
grande maioria das vezes ocasionado pelo medo de não agradar.
_ Devemos considerar a vida
humana como um processo caracterizado por grande complexidade e que para ser
experenciado com saúde, deverá contar com uma interação do individuo, em um
ambiente que favoreça a satisfação de suas necessidades, tais com busca de auto-realização
e consciência de si. – afirma o psicólogo Alex Ávila.
Para o psicólogo, o tema se
torna ainda mais importante, ao considerar crianças e adolescentes como público
alvo da informação. Destaca também o papel familiar anterior ao escolar.
_ A experiência
de sofrimento vivenciada na escola poderá resultar no desequilíbrio emocional, existem
outros fatores vinculados a isto. A depressão, por exemplo, pode ser um dos
sintomas da repressão, não somente sexual. – relata.
Diversidade
Dentro da sala de aula, há a
possibilidades de algum aluno ser homossexual, sendo eles ecodistônicos (aqueles
que não se assumem por medo ou não se aceitam) ou egosintônicos (aqueles que
não apresentam dificuldades em se assumir).
A partir de entrevistas com quatro
homossexuais, hoje assumidos, concluí-se que os profissionais da educação,
encontrarão nas salas de aula com maior frequência os ecodistônicos. Entre os
entrevistados 1 deles se assumiu ainda no 2º ano do ensino médio, os demais se
assumiram apenas após a conclusão.
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| Texto de Kássia Beltrame |

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