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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Reportagem Kássia Beltrame




Respeito às diferenças


Provavelmente, você professor, já deve ter se perguntado: “o que dizer sobre a homossexualidade em sala de aula?”, ou “devo falar sobre homossexualidade com meus alunos?” e certamente por não saber o que ou como dizer, medo da reação dos alunos, preconceito, ou desinformação, acreditou que o melhor a fazer é não abordar o tema.

Seria um equívoco considerar o professor, como mediador do tema sexualidade aos alunos. Porém, partindo da ideologia que a instituição escolar desenvolve papel fundamenta na construção da subjetividade de seus participantes, e consequentemente na formação da sociedade, o professor como representante deste ideal, deve contribuir na construção de pensamentos igualitários e sem preconceitos.

Surgem situações em que o professor é obrigado a levar o tema homossexualidade em sala de aula. O tema ainda é um tabu na sociedade, mas nem por isso as crianças\adolescentes deixam de ter dúvidas a respeito. Se uma criança, por exemplo, presencia um casal homossexual e quer saber o porquê de dois homens ou duas mulheres estarem se beijando, os pais muitas vezes responderão a ela de forma preconceituosa ou por desinformação, mudarão de assunto. Partindo desse ponto, o professor é a melhor opção do aluno para sanar essas dúvidas.

Para o pensador e filósofo Jhon Locke, a curiosidade das crianças é resultado do desejo natural do ser humano por conhecimento. A busca pelo saber deve ser encorajada, pois somente assim será possível remover a ignorância do ser. Sem a curiosidade não teríamos evoluído, mas esta também pode se tornar perigosa, se as respostas forem errôneas ou dadas superficialmente por pessoas despreparadas. No caso da homossexualidade, por exemplo, pais e professores despreparados podem formar crianças reprimidas ou homofóbicas.



Afinal, qual é o seu papel como educador?

Na concepção educacional de Platão: “É preciso educar os membros”. Com esse pensamento, reforça-se o papel do profissional da educação, dentro da sala de aula e fora dela também. A instituição escolar tem o papel de formação, independentemente do assunto, pois é necessário conduzir o aluno ao conhecimento.

Antes de tudo, para tratar desse assunto é preciso ter conhecimento a respeito do tema. Saber o que acontece quando um aluno com características homossexuais se retrai. Para aborda-lo de maneira profissional, é preciso buscar nas  perspectivas da psicologia a resposta. Alex Mena Ávila é psicólogo e nos explica a respeito da repressão de sentimentos, na grande maioria das vezes ocasionado pelo medo de não agradar.

_ Devemos considerar a vida humana como um processo caracterizado por grande complexidade e que para ser experenciado com saúde, deverá contar com uma interação do individuo, em um ambiente que favoreça a satisfação de suas necessidades, tais com busca de auto-realização e consciência de si. – afirma o psicólogo Alex Ávila.

Para o psicólogo, o tema se torna ainda mais importante, ao considerar crianças e adolescentes como público alvo da informação. Destaca também o papel familiar anterior ao escolar.

  _ A experiência de sofrimento vivenciada na escola poderá resultar no desequilíbrio emocional, existem outros fatores vinculados a isto. A depressão, por exemplo, pode ser um dos sintomas da repressão, não somente sexual. – relata.


Diversidade


Dentro da sala de aula, há a possibilidades de algum aluno ser homossexual, sendo eles ecodistônicos (aqueles que não se assumem por medo ou não se aceitam) ou egosintônicos (aqueles que não apresentam dificuldades em se assumir).

A partir de entrevistas com quatro homossexuais, hoje assumidos, concluí-se que os profissionais da educação, encontrarão nas salas de aula com maior frequência os ecodistônicos. Entre os entrevistados 1 deles se assumiu ainda no 2º ano do ensino médio, os demais se assumiram apenas após  a conclusão.

Texto de Kássia Beltrame


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