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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Uma história em uma canção - Maximiliane Veiga



A reportagem a seguir conta a história de Mayara Camargo, uma jovem de 21 anos. Uma garota diferente. Diferente no estilo, mas parecida com muita gente. Mayara é lésbica assumida. Não é nenhum “João do Santo Cristo”, mas tem uma história tão interessante quanto tal... confere ai!





Não tinha medo a tal da Mayara Camargo
Que aos 15 anos resolveu se assumir
Cansou de vez da vida chata que levava
E agora ela faz de tudo pra poder se divertir


Quando criança só pensava em ser “hominho”
Ainda mais quando um carrinho o seu pai lhe deu
Não queria maquiagem nem boneca
Mas até ai ninguém quase percebeu


Aos 12 ia pra escola chateada
E ouvia “como moça tu tem que se comportar”
Sentia mesmo que era diferente
E que isso logo teria que mudar


Ela queria poder se libertar
E seguir o seu próprio coração
Entendeu que gostava é de mulher
De escolha própria, escolheu ser sapatão


Pegava um monte de meninas da cidade
E de tanto brincar, um dia se cansou
Aos quinze, resolveu contar para a família
e foi ai que o sapato apertou.


Não sabia como é que contaria
mudar aos poucos foi a solução
Discriminação sabia que sofreria
Mas ela queria sair da escuridão


Decidida em assumir para geral
encontrou uma amiga com quem foi falar
Era Silvia, que já desconfiava, mas só esperava  
Mayara confirmar


Dizia ela: "Silvia gosto de menina”
Neste mundo coisa melhor não há
Tô precisando contar pra minha família
Será que eles vão me aceitar?"


E Silvia deu sua resposta
Incentivou a jovem para que fosse contar
Mayara nunca chegou a falar nada
Mas deixou bem claro que as coisas iam mudar


"Meu Deus, o que aconteceu com essa menina?”,
as tias começaram a se perguntar
Os pais diziam essa é nossa filha
e a escolha dela nós vamos apoiar


Nas sextas-feiras ia pras boates da cidade
Procurava alguém que lhe desse amor
E conhecia muita gente interessante
mas na noitada ninguém ela encontrou


Pela internet conheceu uma garota
Morava em Foz e tinha um filho pra criar
se conheceram e então ela dizia
Que com Mayara ela ia namorar


Mayara tratou de correr enquanto dava
depois que a mãe lhe disse “criança nenhuma eu vou alimentar”
Passou um tempo e trouxe outra mulher pra casa
e jurava que dessa a mãe ia gostar


Mayara então já não tinha mais vergonha
E decidiu que, para a avó ia contar
Elaborou mais uma vez seu plano santo
E a namorada ela foi apresentar

Logo logo a vózinha já de idade soube da novidade
"Isso é coisa do diabo!"
ficou chocada por que não entendia
como é que tudo aquilo ali acontecia


Fez amigos, frequentava a Zero Nove
E ia pra festa com a galera, pra se libertar
Agora sim
Se sentia livre e a vida ela queria explorar



JÁ QUE não queria mais namorar
E pro inferno mandou tudo de uma vez
“A minha vida eu vou aproveitar,
não me importa o que pensam vocês"


Mayara tem o apoio da família
O que para ela é fundamental
Nem todos tem a mesma sorte
E ela agradece a Deus, por livrá-la deste mal

Saiu do armário, essa é a sua vida
de se assumir nunca se arrependeu
Mayara é uma menina linda
independente da opção que escolheu

Os pais aceitam a sua opção
e mesmo sem saias, a mãe lhe ama demais
"Mayara pra sempre vou te amar
tá no  coração e daqui não sai jamais"

O tempo passa e Mayara é feliz
Alcançou a luz e saiu da escuridão
Se ama e se entende acima de tudo,
se sente bem e ela tem razão.

"Eu tenho a melhor família do mundo
e abandonar vocês, isso eu não faço não
Agradeço a Deus por ter me dado
essas pessoas pra segurar a minha mão”

Para aqueles que tem que sair de casa
Nunca tire o amor do coração
Mas antes de sair, mesmo com ódio no olhar, lembre
"um dia eles te entenderam"

E para aqueles que não tem coragem
de se aceitar como realmente são
que essas palavras entrem no coração
seja feliz, você merece meu irmão.

Não é que a Mayara estava certa
e o risco que se corre é o da felicidade
Seu futuro era incerto mas não desistiu
Todos tem essa  mesma oportunidade

E Mayara conseguiu o que queria
Quando resolveu que tinha que se assumir
Ela queria que todos tivessem a mesma sorte
e fossem felizes sem precisar...




SOFRER!






Texto de Maximiliane Veiga

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