A tecnologia deve
ser utilizada de
forma a ser mais
que apenas uma
nova maneira de
maquiar velhas
práticas
educacionais.
Ela deve estar a
serviço do
construtivismo
A
era digital
A internet exerce um enorme
fascínio sobre a humanidade. A industria de entretenimento já a descobriu a
mais de duas décadas, depois veio o comércio, a comunicação, os games, os
portais de notícia, as redes sociais. Mas considerando as instituições
educacionais, a inclusão da mesma ainda está em processo de adaptação, talvez
pelo preconceito de alguns profissionais: ela foge um pouco da metodologia
tradicional de ensino. Outro fator é a falta de preparação sobre “como lidar”
com as novas tecnologias e em que atividades elas podem ser incluídas em sala
de aula.
Jovens empreendedores viram
seus investimentos iniciais crescerem “infinitamente” com suas empresas (facebook, Yahoo! entre outras). Um fato
que comprova o fascínio do ser humano pela internet, e sua fugaz propagação
comparada a outras mídias: Foram 38 anos até que o rádio atingisse 50 milhões
de usuários no mundo e 16 para que o computador atingisse o mesmo número. A
televisão levou 13 anos, e a Internet somente 4.
Para Levy, em seu livro
sobre cybercultura, o ciberespaço constitui novas e outras formas de
comunicação dentro da cultura tanto econômica, política, social e humana.
Devemos reconhecer as mudanças que essa cultura de tecnologia vem trazendo para
a sociedade, e à que extensão ela atinge para a vida social e cultural.
Pensar na cibercultura de
forma crítica é pensar na forma de exploração econômica ou a que nem todos
tenham acesso a ela, mas isso, não deve interromper as transformações culturais
que ela se aplica em todos os sentidos. Trata-se também acerca de novas formas
artísticas, relação com o conhecimento, e com a formação e educação, a cidade e
democracia, e a assistência a dos problemas da exclusão e desigualdade, da
cultura em si.
A
importância da tecnologia como instrumento de ensino
Para que a educação possa ser
de qualidade, a comunicação sem barreiras na escola é imprescindível, assim objetivando
a comunicação de maneira adequada, é
necessária a afetividade entre professor-aluno, sendo esta, uma grande
ferramenta para o professor, já que o aluno se sentirá confortável e confiante
ao desenvolver seus talentos.
Após formar uma relação
afetiva com o aluno, o professor tem a necessidade de romper mais uma barreira
escolar: a do tradicionalismo. A inovação é necessária. E a tecnologia pode ser
incluída em sala de aula como recurso didático, através: do retroprojetor, do
Datashow, da TV e o DVD por exemplo, proporcionando aos aluno aulas mais
atrativas, também facilita o trabalho do professor.
Para a aluna do quinto ano
do CEJA (Colégio Estadual José de Alencar) Tayná, o uso dessas tecnologias é
fundamental. “Apesar de a TV-pendrive e o Datashow não funcionar sempre, é
legal! Quando os alunos recebem alguma coisa nova eles prestam mais atenção na
aula. Quando tem algum vídeo, a aula é mais interessante do que quando só o professor
fala lá na frente”, afirma.
A própria tecnologia é um
incentivo ao aluno querer que ela seja anexada nos processos de ensino, mas
apesar de toda evolução tecnológica, o primeiro professor ainda se sentiria em
casa, caso houvesse a possibilidade de adentrar em uma sala de aula atualmente,
já que mudanças na metodologia e nos processos educacionais são praticamente
inexistentes.
Quando
funcionam...
Desde o início da década de
noventa, o governo tem investido no aparelhamento das escolas públicas com a
implantação de Laboratórios de Informática. Assim a partir do início dessa
década, a maioria das instituições educacionais já possuíam essas salas, mas
com um histórico de uso quase sempre ruim. O que é o caso do CEJA. A professora
que utilizava o laboratório de informática no momento da visita relata que já
perdeu aulas inteiras levando os alunos no local, mas por os equipamentos não
funcionarem ou estarem muito lentos, não conseguiu aplicar a atividade
planejada. Segundo a professora, felizmente o laboratório da escola está em
boas condições.
As pedagogas Salete Elker
Senn e Noeli Aparecida da Silva compartilham a opinião de Tayná. Elas acreditam
que a aula é muito mais interessante quando há a inclusão tecnológica. Apesar
deste fato e do constante investimento por parte do governo estadual em novas
tecnologias (o último investimento foi a doação de tablets a professores do
ensino médio), não há manutenção.
Diferentemente do
laboratório, a maioria das “TVs Pen drives” não funcionam mais. “Além de
investimentos, as escolas públicas deveriam receber recursos para a manutenção
desses recursos. A maior parte das televisões já estão com defeito, não leem
mais o pen drive. Então o que mais precisamos antes de receber mais
equipamentos é a manutenção dos recursos já existentes”, afirma Noeli.
Inovação
em sala de aula
O que se vê hoje na área de tecnologia
da educação é apenas a tentativa de “automatizar o ensino”, ou seja, parte-se
do pressuposto que o atual modelo educacional não apresenta falhas e não há a
necessidade de transforma-lo a fins de torná-lo mais eficiente. Portanto há a
necessidade da retificação total da educação, repensando fundamentalmente os princípios
educacionais, reestruturando-os radicalmente.
O problema no modelo
educacional atual, talvez seja a maneira como ocorre a formação do professor. Os
profissionais da educação não aprendem a ser professores apenas no curso
superior (pedagogia e licenciaturas...), e sim com todos os seus próprios
professores, desde a primeira série escolar até o último ano da faculdade,
e reproduzem além dos conhecimentos
curriculares, e as técnicas, sua subjetividade e ideologias que assimilou
durante toda a sua formação. Sendo réplicas ligeiramente modificadas de outros
professores, esse é o motivo de a estrutura educacional ser a mesma no Brasil
desde a época dos Jesuítas, e a não aceitação do construtivismo e das novas
metodologias (ambos discutidos na reportagem anterior).
Assim como a sociedade, a
tecnologia e os alunos (que estão sempre em constante transformação, e cada vez
mais complexos), também deve ser os professores e o modelo educacional: quebrar
paradigmas e se adaptar ao mundo moderno, a começar criando seu próprio estilo
e metodologia (singular) e não se prender a aquilo que dominam.
Antonio José Carlos, em seu
artigo “Professor x Inovação” defende a mudança. “Já não precisamos de
professores que apenas tragam as informações para nós, o Google é mais rápido e
eficaz nessa função. Não precisamos mais de lousa, ou mesmo de livros, para
apenas copiar textos e depois reproduzir em provas e trabalhos, pois um simples
CTRL+C seguido de um CTRL+V faz isso por nós. Não podemos ficar 50 minutos
oferecendo nossa atenção integral a um professor que faz um monólogo triste
sobre um tema que não nos interessa; nós queremos mais ação, mais rapidez, mais
objetividade, mais interatividade, mais mobilidade, mais socialização, mais
desafios”, relata.
Assim para o autor, o uso
pedagógico dos computadores e das novas tecnologias não deve ser entendido como
“uma nova maneira de maquiar velhas práticas educacionais”, mas sim uma opção para
romper com essas práticas, possibilitando a mobilidade de informação, e a mobilidade
dos alunos (rompendo as barreiras de espaço e tempo através da internet).
As novas tecnologias não
cabem no espaço pedagógico restrito a “velha escola”, para a professora e
filósofa Janelucy Penharvel, elas demandam de uma nova escola e de um professor
renovado. Talvez por isso o uso destas, tornou-se um fracasso em muitas
escolas. Segundo Antonio: “A escola tornou-se uma ilha de exclusão, um museu pedagógico
de velharias didáticas. E esta ilha está afundando rapidamente no meio do
oceano das novas tecnologias, novas metodologias de aprendizagem e novas
práticas didáticas”.
Artigo
de opinião: A escola como responsável do letramento digital
Fazemos parte de uma
sociedade que exige cada vez mais de nós: a especialização constante para não
perder espaço no mercado de trabalho, jornadas trabalhistas estressantes em que
é necessário “produzir” cada vez mais em menos tempo, distâncias físicas
maiores devido ao constante crescimento urbano, fatores esses, que tornam
muitas vezes, impossível a investigação da veracidade dos conteúdos expostos na
mídia e na internet, tornando-nos suscetíveis a opiniões de terceiros, como
portais de notícias por exemplo.
A sociedade está
gradativamente perdendo a criticidade diante das novas tecnologias, sendo que
alguns padrões comportamentais como a rigidez e a aprendizagem sofrem
alterações. As fontes de internet e computadores devem funcionar não somente
como forma de auxílio no aprendizado, mas também como meio de leitura.
Os profissionais midiáticos
hoje utilizam de bases racionais (persuasão) e irracionais (emoção) para transmitir
ao público sua opinião. Assim a mensagem (inserida em todos os meios de
comunicação, inclusive na internet) não chega “pura” a seus receptores, mas sim
repleta de informações ideológicas (resultado da subjetividade dos
profissionais e as intenções políticas e econômicas de cada empresa).
Portanto cabe a escola o
papel de formar indivíduos críticos também para as novas mídias, utilizando-as também
como recursos de “leitura” e “interpretação”: o aluno deve entender que o
conteúdo em que ele acessa não está nulo de opinião, assim o professor deve
auxilia-lo a “ler” também as informações pressupostas e subentendidas, ao
contrário, a perca de criticidade será cada vez maior.
O problema da exclusão
digital não se resolve apenas comprando computadores para a população carente e
ensinando-os um determinado software,
além disso, também é necessário que haja o letramento digital, sendo este: saber
utilizar as novas tecnologias, saber acessar informações por meio delas,
compreendê-las, utilizá-las e com isso mudar a consciência crítica e agir de
forma positiva na vida pessoal e coletiva.
O letramento digital como a
alfabetização, também deve acontecer no âmbito escolar, já que atualmente este
é um dos meios mais acessíveis a maioria da população, e de fácil aplicação para
políticas públicas, a partir deste letramento digital aos alunos de escolas públicas,
a nova geração estará preparada para os impactos que as facilidades na internet
podem causar, com a formação de leitores críticos da internet, estará vencida
uma etapa na exclusão digital. ![]() |
| Texto de Renan Bini |

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